História

Reguengos de Monsaraz

A Freguesia de Reguengos de Monsaraz é composta pelos seguintes aglomerados: Reguengos de Monsaraz (Vila), Perolivas, Gafanhoeiras e Caridade, sendo paralelamente Sede de Concelho.

Em termos geográficos, pertence ao Distrito de Évora e localiza-se na Região Alentejo Central, no Sul de Portugal. A Freguesia é confinada a Nordeste pela Freguesia de Monsaraz, a Este pela Freguesia de Corval, a Sudeste pela Freguesia de Campinho e finalmente, a Sul pela Freguesia do Campo. A Freguesia abrange uma área de cerca de 102 km2.

Em termos Concelhios, o Concelho de Reguengos de Monsaraz é confinado a Norte pelos Concelhos de Redondo e Alandroal, a Este pelo Concelho de Mourão, a Sul pelos Concelhos de Moura e Portel e a Oeste pelos Concelhos de Évora e parte do de Portel. O seu limite a Sudeste é constituído em vasta extensão pelo Rio Guadiana. O Concelho abrange uma área de cerca de 474 km2 e é composto por 5 freguesias.

Origem da Freguesia

A origem da Freguesia de Reguengos de Monsaraz confunde-se com a do antigo Concelho de Monsaraz. Os limites do Concelho são os mesmos desde há séculos, o que mudou foi a localização da sua Sede, localizada na Vila de Monsaraz até 1838, data a partir da qual se transferiu para a Vila de Reguengos, sendo fixada definitivamente em 1851, depois de algum período de alternância com Monsaraz.
No termo da antiga vila de Monsaraz, situada em dominicais da Casa de Bragança e depois da Coroa, que davam pelos nomes de Reguenguinho, Ramila e Mon Real, em redor de uma Ermida de Sto. António foi edificada a Vila de Reguengos. O agradável sítio, a fertilidade do terreno, e outras favoráveis circunstâncias, convidaram algumas famílias a construir as suas casas em redor da que era até ali uma solitária Ermida. Em poucos anos formou-se assim uma pequena aldeia, que cresceu de tal modo que foi necessária a criação efectiva de uma nova Freguesia, em 1752.
Em relação à Freguesia propriamente dita, já desde 1836 que se conhece a sua existência, mas com a denominação de Junta da Parochia da Freguezia de Santo António. Nesta época, faziam parte da Freguesia a própria Junta da Parochia da Freguezia de Santo António, bem como o lugar da Nossa Senhora da Caridade e o lugar de Santa Maria da Lagoa.
Na época agrupavam-se os núcleos populacionais de Reguengos de Cima, do Meio e de Baixo,

que constituíram, em 1838, as bases administrativas e embrionárias da nova Vila, elevada a Sede de Concelho por Carta de Lei de 29 de Fevereiro de 1840, com o título primitivo e efémero de Vila Nova de Reguengos de Monsaraz, em menosprezo do histórico e multisecular burgo de Monsaraz.

História da Freguesia

Em 1620 existia a duas léguas ao poente de Monsaraz, no meio de terras produtivas, uma Ermida dedicada a Santo António. Em 1690 começaram-se a edificar algumas casas em torno da Ermida e foi então grande o desenvolvimento da população que em 1712 já era uma aldeia chamada
Reguengo com uma Igreja Paroquial da invocação de Nossa Senhora da Caridade.
As aldeias dos Reguengos sofreram um impulso demográfico nos tempos de D. Pedro II, que se desencadeou devido às suas privilegiadas disposições pastoris e admite-se que, no decurso das guerras da Restauração, alguns couteiros da Casa de Bragança, incumbidos do fomento equino necessário ao reabastecimento da cavalariça portuguesa aqui se vieram fixar.
Entre essas gentes humildes, emigradas dos lugares mais devastados pela guerra, parecem ter vindo homens especializados nos ofícios da cardação e tecelagem das lãs merinas, matéria-prima em que estas terras do antigo “termo” de Monsaraz, desde o século XV e na dependência das suas alianças económicas com a organização pastoril da Mesta espanhola, eram muito ricas.
O artesanato na área da tecelagem do “termo” de Monsaraz consagrava-se à produção de mantas, saragoças e panos grosseiros que não serviam só para cobrir e aquecer os moradores da terra mas que, transcendendo estes âmbitos, chegaram a ser aproveitados como instrumentos de corrupção da frágil consciência de um Juiz de fora daquela Vila que, a troco da isenção de mancebos aptos para o serviço militar, se foi tornando um coleccionador de peças decorativas.
Mais tarde, já no século XIX, o salto económico das aldeias de Reguengos não se ergueu apenas sobre a intensa laboração da fábrica de lanifícios, fundada por José Mendes Papança, e a sua ampla distribuição pelos antigos e humildes foreiros da Casa de Bragança – a divisão dos chamados “arados” – constituiu, também, uma espantosa e indomável força de progresso e desenvolvimento desta Vila. Com esse parcelamento, implantaram-se novas estruturas agrárias e, na sua dependência, surgiu a grande lavra de vinhas que está ainda na base do esplendor económico de Reguengos, nos finais do século XIX.
Em 1840, atendendo aos serviços dispensados pelos moradores dos Reguengos “à causa da liberdade”, a Rainha D. Maria II eleva a já então Vila Nova dos Reguengos a Sede do Concelho e concede-lhe o primeiro foral.

Património Arquitectónico

Igreja Matriz de Reguengos de Monsaraz

Esta Igreja teve as suas raízes históricas no ano de 1887, com a determinação da Junta da Paróquia de Reguengos de edificar um templo em terrenos dos novos Paços do Concelho.
Com o projecto do Arquitecto António José Dias da Silva, o edifício apresenta características do espírito romântico da época neo-gótico.
Mais tarde, na sequência do Concilio Vaticano II, sofreu obras de adaptação à ordenação determinada pela reforma litúrgica.

Em 1620 existia a duas léguas ao poente de Monsaraz, no meio de terras produtivas, uma Ermida dedicada a Santo António. Em 1690 começaram-se a edificar algumas casas em torno da Ermida e foi então grande o desenvolvimento da população que em 1712 já era uma aldeia chamada
Reguengo com uma Igreja Paroquial da invocação de Nossa Senhora da Caridade.
As aldeias dos Reguengos sofreram um impulso demográfico nos tempos de D. Pedro II, que se desencadeou devido às suas privilegiadas disposições pastoris e admite-se que, no decurso das guerras da Restauração, alguns couteiros da Casa de Bragança, incumbidos do fomento equino necessário ao reabastecimento da cavalariça portuguesa aqui se vieram fixar.
Entre essas gentes humildes, emigradas dos lugares mais devastados pela guerra, parecem ter vindo homens especializados nos ofícios da cardação e tecelagem das lãs merinas, matéria-prima em que estas terras do antigo “termo” de Monsaraz, desde o século XV e na dependência das suas alianças económicas com a organização pastoril da Mesta espanhola, eram muito ricas.
O artesanato na área da tecelagem do “termo” de Monsaraz consagrava-se à produção de mantas, saragoças e panos grosseiros que não serviam só para cobrir e aquecer os moradores da terra mas que, transcendendo estes âmbitos, chegaram a ser aproveitados como instrumentos de corrupção da frágil consciência de um Juiz de fora daquela Vila que, a troco da isenção de mancebos aptos para o serviço militar, se foi tornando um coleccionador de peças decorativas.
Mais tarde, já no século XIX, o salto económico das aldeias de Reguengos não se ergueu apenas sobre a intensa laboração da fábrica de lanifícios, fundada por José Mendes Papança, e a sua ampla distribuição pelos antigos e humildes foreiros da Casa de Bragança – a divisão dos chamados “arados” – constituiu, também, uma espantosa e indomável força de progresso e desenvolvimento desta Vila. Com esse parcelamento, implantaram-se novas estruturas agrárias e, na sua dependência, surgiu a grande lavra de vinhas que está ainda na base do esplendor económico de Reguengos, nos finais do século XIX.
Em 1840, atendendo aos serviços dispensados pelos moradores dos Reguengos “à causa da liberdade”, a Rainha D. Maria II eleva a já então Vila Nova dos Reguengos a Sede do Concelho e concede-lhe o primeiro foral.

Igreja Matriz de Reguengos de Monsaraz

Esta Igreja teve as suas raízes históricas no ano de 1887, com a determinação da Junta da Paróquia de Reguengos de edificar um templo em terrenos dos novos Paços do Concelho.
Com o projecto do Arquitecto António José Dias da Silva, o edifício apresenta características do espírito romântico da época neo-gótico.
Mais tarde, na sequência do Concilio Vaticano II, sofreu obras de adaptação à ordenação determinada pela reforma litúrgica.

(1)

Criação da freguesia de Santo António dos Reguengos (1752)

A freguesia de Santo António dos Reguengos nasceu em 1752 quando D. Frei Miguel de Sousa (de seu verdadeiro apelido Távora), então arcebispo de Évora, autorizou o desmembramento da Aldeia dos Reguengos da freguesia de Nossa Senhora da Caridade, na qual estava incorporada. Vejamos a transcrição do texto que se encontra no riquíssimo espólio arquivístico da Junta de Freguesia de Reguengos de Monsaraz:

“Dom Miguel de Távora, por mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica, Arcebispo metropolitano de Évora e seu arcebispado, Fazemos saber a todos que esta nossa carta de visitação virem que no dia 24 de Março deste presente ano de 1757 visitámos a Igreja Paroquial de Santo António dos Reguengos, a qual desmembrámos da freguesia de Nossa Senhora da Caridade no ano de 1752 por requerimento dos fregueses que tendo crescido em grande número, quererão a comodidade de ter paróquia própria separada da antiga de Nossa Senhora da Caridade, e condescendendo […] erigimos e criámos ade novo esta nova paróquia de Santo António dos Reguengos em que diante havia só uma Ermida do glorioso Santo António a qual se acrescentou mais para nela caberem os fregueses da nova freguesia (…).

(2)

Petição dos moradores da Aldeia dos Reguengos de Baixo, dirigida à Rainha D. Maria I para lhe ser edificada uma nova igreja:

“Dizem os moradores das Aldeias dos Reguengos da Sereníssima Casa de Bragança Termo da Vila de Monsaraz Freguesia de Santo António, que a mesma se ergueu antigamente em uma ermida do dito Santo, que havia em uma das ditas Aldeias, em tempo em que os Fregueses eram de muito menos número do que são hoje por se compreenderem nela quase mil pessoas de sacramento, além das muitas que há menores de sete anos (…) por cuja razão não cabem na dita Ermida os referidos Fregueses para ouvirem Missa nos dias de obrigação dela, e pela dita razão não podem também assistir todos nem a maior parte às festividades quando se fazem na dita Igreja por ter a mesma tão somente de largura quatro varas e meia, e de comprimento menos de dezassete, do que resulta, e é certo que a maior parte dos moradores e Fregueses da dita Freguesia ouvem missa de fora da dita Igreja ficando à chuva quando chove, e ao sol quando o faz; a este indizível incómodo acresce outro também muito atendível, que é o de sepultarem uma grande parte dos cadáveres fora da mencionada Igreja, que foi ermida, o que na verdade move a grande compaixão, e a viverem os ditos moradores com uma distinta desconsolação, fazendo-se assim certa a grande necessidade em que se acham de se erguer uma Igreja nova em que possam caber todos os fregueses (…) Para o dito fim há um freguês chamado Manoel Mendez Papança que por caridade, e gratuitamente oferece além da sua esmola um terreno suficiente de terra sua para nele se edificar a Igreja de que os suplicantes muito necessitam com seu adro com a largueza (…)”.